Ele estava sentado ao piano usando óculos escuros. Uma das mãos descansava levemente sobre as teclas, enquanto a outra fazia carinho atrás das orelhas do cachorro dourado deitado ao lado dele. Buddy usava um arnês e tinha a expressão profundamente paciente de uma criatura que já entendia tudo sobre a vida.
Naquela época eu tinha trinta anos e quase nunca havia tido relacionamentos sérios. Os homens que eu conhecia só viam minhas cicatrizes. Com o tempo, fiquei exausta daqueles olhares.
Ninguém parecia disposto a olhar por tempo suficiente para encontrar meu coração. Só viam alguém quebrada.
Mas Callahan era diferente. Mesmo sem enxergar, ele me via.
No nosso primeiro encontro, abaixei os olhos para a mesa da lanchonete e disse baixinho:
“Eu deveria te contar uma coisa, Callie. Eu não pareço com as outras mulheres.”
Ele sorriu e estendeu a mão sobre a mesa para segurar a minha.
“Ainda bem. Nunca me interessei por coisas comuns.”
Eu ri tanto que quase chorei. Talvez aquilo já devesse ter me alertado.
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