Fui apresentado a uma garota acima do peso num encontro às cegas… Mas minha reação fez todos os presentes caírem na gargalhada.
PARTE 1: O Jantar Que Não Foi Jantar
Na noite em que meu amigo Rodrigo me apresentou a Valeria Montes, entendi algo muito simples sobre algumas pessoas: elas nem sempre querem unir dois corações; às vezes, só querem sentar e observar alguém passar por um momento desconfortável.
Meu nome é Daniel Salazar, tenho trinta e quatro anos e, nessa altura, já estava solteiro há tempo suficiente para minha família tratar isso como uma emergência nacional. Minha irmã me mandava perfis de mulheres pelo WhatsApp. Meus colegas de trabalho brincavam sobre eu “voltar ao mercado”. Minha mãe, com aquela perigosa ternura típica das mães mexicanas, já rezava por mim como se a solidão fosse uma doença.
Eu não estava destruído. Eu estava apenas em paz.
Um ano antes, ele havia terminado um longo relacionamento com uma mulher que dizia querer estabilidade, até descobrir que estabilidade também significava pagar as contas, fazer compras no supermercado aos domingos e não viver sempre em um mundo de fantasia. Não houve brigas nem traições. Apenas duas pessoas aceitando gradualmente que queriam futuros diferentes.
Por isso, quando Rodrigo me convidou para jantar num restaurante elegante em Roma Norte, dizendo: “Será algo discreto, nada de luxo”, eu devia ter desconfiado. Nada de bom começa com “nada de luxo”.
Cheguei ao local às oito e meia. Luz baixa, música suave, garçons vestidos de preto e um cardápio onde até os feijões pareciam preparados com maestria. Em uma mesa comprida estavam Rodrigo, sua esposa Mariana, dois outros casais e uma cadeira vazia ao lado de uma mulher que eu não conhecia.
Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, eu entendi.
Sorrisos discretos. Olhares rápidos. Mariana bebendo água como se tivesse acabado de descobrir o copo. Óscar, um dos amigos de Rodrigo, recostado na cadeira com a expressão de quem comprou ingresso para um espetáculo.
A mulher ao lado da cadeira vazia também percebeu.
Seu nome era Valeria. Ela tinha olhos castanhos, cabelos escuros na altura dos ombros e usava um vestido azul-marinho simples e elegante. Era uma mulher grande, sim, mas essa não foi a primeira coisa que notei. A primeira coisa que notei foi sua imobilidade. Não era timidez. Era a calma de alguém que entra em uma sala, sente imediatamente a crueldade que paira no ar e decide não dar a quem a vê tremer.
“Daniel, finalmente!” disse Rodrigo, levantando-se depressa demais. “Esta é Valeria. Valeria, Daniel.”
“Olá”, disse ela, com um sorriso educado.
—Olá — respondi.
Então Rodrigo acrescentou, com uma voz falsamente casual:
—Pensamos que vocês dois poderiam… sabe… se dar bem.
A mesa ficou silenciosa demais.
Lá estava. Não era um jantar. Era um teste. Talvez uma brincadeira disfarçada de boas intenções.
Não sei o que esperavam de mim. Uma risada sem graça, talvez. Uma desculpa para ir embora. Talvez quisessem me ver julgá-la para se sentirem pessoas melhores por não terem dito em voz alta o que pensavam.
Em vez disso, puxei a cadeira para longe de Valeria e me sentei.
“Que ótimo”, eu disse. “Eu realmente precisava conversar com alguém que não me contasse as mesmas três histórias desde a faculdade.”
Valéria olhou para mim pela primeira vez de verdade. Um canto da sua boca se contraiu, como se ela estivesse tentando não sorrir.
Rodrigo piscou.
—Você está parecendo agressivo.
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