Ele me deu um tapa tão forte que meu lábio sangrou, só porque eu perguntei onde ele estava na noite passada. Ao amanhecer, preparei em silêncio um banquete típico do sul dos Estados Unidos e arrumei os talheres de prata. “Essa é uma boa esposa.”

“Lena?”

Encarei meu reflexo na janela escura. Lábio inchado. Olhos secos. Mãos firmes.

“Ele me bateu”, eu disse.

Silêncio.

Então a voz de Rafael ficou plana como uma lâmina.

“Você está em segurança?”

“Sim.”

“Você quer sangue?”

Respirei fundo lentamente.

“Não”, eu disse. “Quero tomar café da manhã.”

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