“Tem um filhote aqui”, respondi. “Vou ver o que está acontecendo.” Desliguei a sirene, deixei o motor ligado e o segui. O filhote se movia rápido, mas parava com frequência para garantir que eu ficasse para trás. Não era um animal perdido vagando sem rumo; ele estava me guiando para algum lugar.
À medida que avançávamos, comecei a reparar nos detalhes: pequenas pegadas na terra, folhas amassadas, um leve cheiro de plástico aquecido pelo sol. O cachorrinho desviou-se para uma estreita saliência com vista para uma clareira desarrumada, repleta de pedras e detritos trazidos pela chuva. E ali, meio escondido na vegetação rasteira, estava o motivo da sua coragem: um grande recipiente de plástico, do tipo que as pessoas abandonam sem pensar duas vezes.
Estava deitada de lado. A tampa não abria completamente; estava emperrada. Aproximei-me e ouvi: um som fraco e abafado. Um gemido. Agachei-me e olhei para dentro do plástico mal iluminado. A princípio, não vi nada. Então, movimento. Uma cadela. A mãe. Presa lá dentro.
A dura realidade me atingiu instantaneamente. Eu não tinha para onde fugir. O ar estava viciado. O calor aumentava. E aquele cachorrinho passou sabe-se lá quanto tempo procurando ajuda, fazendo a única coisa que podia.
Os olhos da mãe encontraram os meus, arregalados com um pânico dolorosamente humano.
Raspava fracamente o plástico, arrastando as patas pelo recipiente como se implorasse: “Aqui. Por favor. Bem aqui.” Tentei levantar a tampa, mas não se mexia. Tortuosa. Presa. Quebrada, talvez. Procurei desesperadamente por algo para me apoiar. Outro gemido. Cada segundo parecia interminável.
“Preciso de ajuda!” gritei no rádio, perdendo completamente a compostura. Rapidamente informei a localização. “Animal preso. É grave.”
Meu parceiro disse que viria, mas que não podia esperar. Corri de volta para o carro, peguei uma pequena ferramenta de alavanca que guardamos para emergências e voltei correndo. Minhas mãos tremiam, não de medo, mas do terror de estar atrasada demais.
Quando finalmente consegui inserir a ferramenta na abertura, o plástico rangeu. O filhote se afastou, mas não fugiu. Ficou parado ali, ofegante, com os olhos fixos nas minhas mãos. Falei com ele sem pensar, como se fala com alguém quando tudo está em jogo.
—Quase lá… aguente firme…
Empurrei. Mais uma vez. A tampa se moveu. Um ar quente e fétido escapou. A mãe tremia fracamente, a língua seca e os olhos mal entreabertos. Abri um pouco mais e, com um último esforço, a tampa cedeu.
Ela tentou se levantar, mas caiu. Com cuidado, eu a levantei, apoiando-a com meu braço.
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