“Susan, pensei neste momento mil vezes! Obrigada por escrever!”
Trocamos algumas mensagens breves. Ele disse que entenderia se eu não quisesse encontrá-lo e que não estava tentando atrapalhar minha vida. Ele só queria me devolver algo — algo que ele havia guardado por mais de 40 anos.
Trocamos números de telefone e combinamos de nos encontrar em um pequeno café perto do meu bairro.
Escolhi esse lugar porque era tranquilo, com janelas grandes e vista para o parque. Combinamos de nos encontrar dois dias depois, às 11h.
Eu disse à Megan que ia encontrar um antigo amigo da faculdade. Ela me olhou, mas não fez perguntas.
Na noite anterior, mal consegui dormir. Ficava checando as horas, depois deitava de novo e encarava o teto. Meus pensamentos estavam a mil!
E se ele for casado? E se ele estiver doente? E se tudo isso for um engano?
Mas eu precisava saber.
Eu precisava vê-lo.
O café estava quase vazio quando cheguei. Eu vestia um suéter azul-marinho — um dos meus mais bonitos — e passei um pouco de blush, embora não usasse maquiagem há semanas.
Ele já estava lá.
Daniel se levantou ao me ver entrar, como fazia antes, como se fosse instintivo. Seus olhos se arregalaram um pouco e, por um instante, ficamos apenas nos olhando, sem saber o que fazer.
Então ele sorriu.
“Olá, Susan.”
Sua voz era mais madura, um pouco rouca, mas inconfundivelmente sua. Envolveu-me como uma melodia familiar — uma que eu não ouvia há anos, mas da qual ainda me lembrava.
“Daniel”, eu disse baixinho, sem conseguir parar de sorrir.
Ele puxou a minha cadeira. “Não tinha certeza se você viria.”
“Nem eu”, admiti.
Sentamo-nos. Dois cafés já estavam à nossa espera — um à sua frente e outro ainda quente para mim.
“Imaginei que você ainda prefere preto”, disse ele.
Você acertou em cheio.
Seguiu-se uma longa pausa — não constrangedora, mas tensa. Nenhum de nós sabia bem por onde começar.
“Devo-lhe uma explicação”, disse ele finalmente, com as mãos em volta da caneca.
Assenti com a cabeça, dando-lhe espaço para falar.
“Aconteceu tudo muito rápido”, começou ele. “Meu pai desmaiou. Ele teve um AVC. Pensamos que ele se recuperaria, mas então vieram as convulsões, a confusão. Ele precisava de cuidados constantes. Minha mãe estava desmoronando, meu irmão ainda estava no ensino médio e, de repente, tudo caiu sobre meus ombros.”
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