Foi porque a casa dela tinha aquecimento, a geladeira estava cheia e eu estava farta de lavar o rosto em banheiros de postos de gasolina antes de entrevistas de emprego.
Ela não queria mais continuar lutando para sobreviver.
***
A primeira pessoa a quem contei foi Jesse, um ex-colega de trabalho que, depois de algumas cervejas, conseguia fazer qualquer pensamento cruel soar como uma piada.
Estávamos sentados em um bar quando eu disse a ela: “Jess, vou me casar.”
Jesse quase cospe a bebida. “Com quem?”
“Com Evie.”
“A viúva da casa azul?”
“Jess, eu vou me casar.”
“Abaixe o tom de voz.”
Ela recostou-se, sorrindo. “Damon, isso não é um casamento. É apenas um teto sobre a sua cabeça com privilégios.”
“É um teto, Jesse”, murmurei.
“Tudo isso pode ser seu se você esperar o tempo suficiente.”
Eu devia ter ido embora. Em vez disso, olhei para a minha cerveja e disse: “Estou cansado, Jesse. Estou cansado de sentir frio. Estou cansado de ligações de cobrança. Estou cansado de cheirar a sabonete de posto de gasolina.”
—Então você encontrou um plano melhor.
Eu não respondi.
—Damon, isso não é um casamento.
Duas semanas antes do casamento no cartório, Evie deslizou uma pasta sobre a mesa da cozinha.
“O que é isto?”, perguntei.
—Um acordo pré-nupcial, Damon.
-Você está falando sério?
—Solidão não significa negligência.
Ela bateu as mãos sobre a mesa. “A casa ainda é minha. Minhas economias ainda são minhas. E se algo me acontecer, meu testamento falará por mim.”
—Um acordo pré-nupcial.
—Você acha que estou atrás do seu dinheiro, Evie?
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