Aos poucos, passei a confiar nele — não por causa de suas palavras, mas por causa do que ele fazia todos os dias.
Com trinta e duas semanas, fiz um ultrassom presencial. Elias me levou ao hospital com muita cautela. Os elevadores principais estavam lotados, então sugeri o elevador de serviço antigo.
“Não tem problema”, eu disse. “Eu usei durante a residência.”
Entramos. As portas se fecharam. O elevador subiu com um gemido.
Então deu um solavanco violento e parou.
As luzes se apagaram.
A escuridão nos engoliu.
Elias encontrou o celular. Sem sinal.
“Vamos esperar”, eu disse, tentando parecer calma.
Então, um líquido quente escorreu pelas minhas pernas.
Eu paralisei.
“Elias”, sussurrei. “Minha bolsa estourou.”
O pânico tomou conta do seu rosto. “Você está com apenas trinta e duas semanas.”
Uma contração me atingiu em cheio. Gritei e me agarrei ao corrimão.
“Eu não sei como fazer um parto”, disse ele, com a voz embargada.
“Sim”, respondi com a voz embargada, agarrando-lhe a lapela do paletó. “Eu sou o médico. Você é minhas mãos. Escute-me e juntos salvaremos nossa filha.”
Outra contração ocorreu.
O elevador escuro se tornou o mundo inteiro. Elias tirou o paletó, colocou-o atrás da minha cabeça e estendeu a camisa por baixo de mim. Suas mãos tremiam, mas seus olhos permaneceram fixos nos meus.
“Diga-me o que fazer.”
“Quando ela chegar, pegue-a com cuidado. Verifique o cordão umbilical. Se ela não chorar, faça carinho nas costas dela e limpe a boca dela.”
“Não vou deixá-la ir.”
Então, a vontade de fazer força tornou-se impossível de resistir.
“Agora!” gritei.
Na escuridão, presa entre o medo e a esperança, lutei pela vida do meu bebê. Elias não hesitou. Ele falou comigo a cada segundo.
“Mais uma, Adelaide. Eu a vejo.”
Com um último esforço, a pressão foi liberada.
Então, silêncio.
“Elias?” sussurrei. “Ela está respirando?”
“Vamos lá”, implorou ele. “Respire pela sua mãe. Respire por mim.”
Então, um pequeno grito cortou a escuridão.
Eu solucei.
Ele colocou nossa filha no meu peito. Ela era incrivelmente pequena, mas estava viva.
As luzes voltaram. O elevador desceu e abriu as portas para Naomi e uma equipe de funcionários em pânico.
“Tragam uma maca!” gritou Naomi.
Demos-lhe o nome de Hope (Esperança).
Durante três semanas, ela permaneceu na UTI neonatal, ficando mais forte a cada dia. Elias nunca saiu de lá. Ele dormia em uma cadeira de plástico ao lado da incubadora dela e lhe prometeu uma vida inteira de segurança.
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