Paguei quase cem mil pesos pela viagem em família e, ao chegar ao hotel, minha mãe sorriu e disse: “Sua reserva foi cancelada — não faça escândalo”. Todos esperavam me ver chorando no saguão, mas eu ainda tinha uma ligação telefônica na manga que mudaria tudo.

“Eu paguei por esta viagem”, disse lentamente. “Paguei mais do que qualquer um de vocês.”

Sofia ergueu uma sobrancelha.

Você pagou porque quis. Ninguém te obrigou.

“Então, onde devo dormir?”

Minha mãe sorriu.

“Há albergues baratos no centro da cidade. Ou você pode voar de volta para a Cidade do México. Aí todo mundo pode relaxar.”

Meu pai suspirou.

“Lucia, pare de se fazer de vítima.”

Eles estavam esperando que eu chorasse.

Em vez disso, peguei meu celular.

Minha mãe riu.

“Para quem você está ligando? Para a polícia turística?”

Eu a ignorei e disquei o número que minha avó havia deixado dentro da Bíblia dela.

“Sra. Morales”, eu disse, forçando minha voz a manter-se firme. “Aqui é Lucia Ramirez. Ative a instrução da minha avó. Suspenda todos os privilégios da família Ramirez no Hotel Mar de Jade. Quartos, comida, bebidas, acesso VIP, lounges — tudo.”

Sofia caiu na gargalhada.

“Ela perdeu a cabeça.”

Mas dois minutos depois, os cartões do meu pai pararam de funcionar.

Meu pai veio furioso na minha direção, com o rosto vermelho.

“Que absurdo você acabou de fazer?”

Guardei meu celular.

“Nada que não tenha sido autorizado.”

Ele se virou para a recepcionista e tirou do bolso seu cartão de crédito ouro do hotel, aquele que ele adorava exibir nos jantares em família.

“Senhorita, ignore minha filha. Ela está fazendo drama. Me dê as chaves da suíte familiar.”

A recepcionista passou o cartão.

A máquina emitiu um sinal sonoro.

Ela tentou novamente.

Outro bipe.

“Sr. Ramirez… sua conta parece estar suspensa.”

Minha mãe riu nervosamente.

“Isso é impossível. Carlos, diga a ela quem você é.”

Meu pai bateu com a mão no balcão.

“Sou um dos sócios fundadores desta rede. Minha mãe construiu este hotel.”

Então o gerente geral apareceu vestindo um terno azul-marinho. Ele não olhou para o meu pai.

Ele olhou para mim.

“Senhorita Lucia Ramirez”, disse ele respeitosamente, “sua suíte principal está pronta”.

Sofia ficou boquiaberta.

“Para ela?”

O gerente virou-se ligeiramente.

“Por determinação legal, os privilégios corporativos do Sr. Carlos Ramirez foram revogados. A nova acionista majoritária do Grupo Mar de Jade é a Srta. Lucia Ramirez.”

Minha mãe empalideceu.

“Acionista majoritário?”

Respirei fundo.

“A vovó mudou o testamento. Ela me deixou 51% das ações.”

Meu pai balançou a cabeça negativamente.

“Isso é impossível.”

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