Quando Anna finalmente engravidou e o médico nos garantiu que podíamos ter esperança, nos permitimos acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.
Cada conquista parecia um milagre: o primeiro chute, a risada da Anna enquanto equilibrava uma tigela na barriga, e eu lendo histórias para ela.
Quando chegou o dia da entrega, nossos amigos e familiares estavam prontos para comemorar. Estávamos todos empolgados, de corpo e alma.
O parto pareceu interminável. Os médicos davam ordens aos berros, os monitores apitavam alto e os gritos de Anna ecoavam na minha cabeça. Mal tive tempo de apertar a mão dela antes que uma enfermeira a levasse embora.
Cada conquista parecia um milagre.
“Espere, para onde você está levando ela?” gritei, quase tropeçando nos meus próprios pés.
“O senhor precisa de um minuto. Já vamos buscá-lo”, disse a enfermeira, bloqueando meu caminho.
Caminhei de um lado para o outro no corredor, repassando mentalmente os piores cenários. Minhas palmas estavam escorregadias de suor. Tudo o que eu conseguia fazer era contar as rachaduras nos azulejos e rezar.
Quando outra enfermeira finalmente me fez sinal para entrar, meu coração estava disparado.
“O senhor precisa de um minuto.”
Anna ficou ali parada, sob a forte luz do hospital, segurando dois pequenos embrulhos escondidos sob os cobertores. Seu corpo inteiro tremia.
“Anna?” Apressei-me a ir até ela. “Você está bem? É a dor? Devo ligar para alguém?”
Ela não olhou para cima, apenas apertou os bebês contra si.
“Não olhe para os nossos bebês, Henry!” Sua voz embargou ao dizer essas palavras, e ela começou a soluçar tão alto que pensei que fosse desabar.
“Anna, fale comigo. Por favor, fale comigo. Você está me assustando. O que aconteceu?”
Ela balançou a cabeça, embalando os bebês como se pudesse protegê-los do mundo. “Eu não consigo… Eu não sei, eu simplesmente não consigo…”
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