Então fui transferido para outra empresa e, em um único verão, Angie perdeu tudo o que lhe era familiar.
A solidão muitas vezes leva até mesmo as crianças boas a se aproximarem das primeiras pessoas que lhes dizem: “Venham conosco”.
Seus novos amigos não eram crianças más. Eram apenas adolescentes inquietos atraídos por prédios abandonados, aventuras noturnas e a emoção de fazer algo imprudente. Foram pegos explorando lugares antigos algumas vezes, mas nada sério.
Mesmo assim, após a morte de Angie, não pude deixar de me perguntar se outra amiga poderia ter mudado tudo.
Dois dias depois, enterrei minha única filha.
Durante todo o funeral, ele não parava de olhar para a porta da igreja, quase como se esperasse que Angie entrasse atrasada, rindo e pedindo desculpas.
Seus amigos não vieram.
E eu os odiava por isso também.
Quando a cerimônia terminou, dirigi para casa exausto e atordoado. Mas, ao entrar na garagem, paralisei.
A porta da frente estava aberta.
A luz da varanda estava brilhando.
A lâmpada da sala de estar estava acesa.
Eu sabia que ele havia desligado tudo antes de sair.
Entrei e encontrei as quatro amigas de Angie paradas sem jeito em meio às flores do funeral, fotografias emolduradas e caçarolas intocadas.
“O que você está fazendo aqui?”, gritei.
Um rapaz de cabelos escuros deu um passo à frente, nervoso.
—Não é o que você pensa, senhorita Mabel.
—Como eles entraram na minha casa?
Ele engoliu com dificuldade.
—Angie disse que você guardava uma chave reserva debaixo do vaso de flores lá fora.
Apontei imediatamente para a porta.
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