“Mãe… Papai está esperando você morrer. Por favor, não acorde.”
Essa foi a primeira coisa que ouvi depois de doze dias preso em uma escuridão sufocante — como se estivesse sendo enterrado vivo.
Eu não conseguia me mexer.
Eu não conseguia falar.
Até respirar parecia que cacos de vidro estavam partindo minha cabeça ao meio.
Mas reconheci aquela voz instantaneamente.
“Ethan…”
Meu filho de nove anos estava ao lado da minha cama de hospital, chorando baixinho, segurando minha mão do mesmo jeito que fazia quando tinha medo de fogos de artifício.
“Mãe… se você puder me ouvir, aperte minha mão. Por favor.”
Tentei.
Eu realmente tentei.
Mas meu corpo não respondia.
Uma enfermeira entrou, falando sobre soro intravenoso, pressão arterial e como era um milagre eu ainda estar vivo. Ela mencionou que meu SUV havia saído da estrada perto de uma curva na montanha.
Todos repetiam a mesma coisa:
“Pobre Emily… ela perdeu o controle.”
Mas eu não me lembro de ter perdido o controle.
A última coisa de que me lembro foi de Ryan — meu marido — sentado à mesa da cozinha, deslizando papéis em minha direção.
“Assine logo, Em. É para proteger nossos bens.”
Eu recusei.
Naquela mesma noite, meus freios falharam.
A porta abriu-se novamente.
Ethan soltou minha mão rapidamente.
“Você de novo?” Ryan retrucou. “Eu já disse que ela não pode te ouvir.”
“Eu só queria vê-la.”
“Vá sentar-se com sua tia Claire.”
Claire.
Minha irmã.
Aquela que trançava meu cabelo quando éramos pequenas. Aquela que chorou no hospital, dizendo que daria a vida por mim.
Os saltos dela fizeram um clique ao entrarem na sala.
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