Ao abrir a caixa, uma pequena unidade de vídeo deslizou para a minha mão.
“É só isso?”, perguntei baixinho.
“Essa é a mais importante”, respondeu Judy. “Eu trouxe meu laptop.”
Claro.
Judy abriu o laptop enquanto estávamos sentadas juntas no carro dela. Segurei o aparelho com firmeza nas mãos.
“Você está pronto?”, ela perguntou.
Não era. Mas mesmo assim, assenti com a cabeça.
O vídeo foi carregado.
Então Lily apareceu na tela.
Ela sentou-se na cama olhando diretamente para a câmera.
Fiquei imediatamente sem fôlego.
“Oi, mamãe…”
Tapei a boca.
“Se você está vendo isso, significa que ficou preso por mais tempo do que esperava.”
Um riso fraco escapou-me em meio às lágrimas.
“Eu te conheço”, continuou ele gentilmente. “Você provavelmente não sai do apartamento a menos que seja necessário. Você não atende minhas ligações. Então, escute… preciso que você faça algo para mim.”
Balancei levemente a cabeça; já me sentia sobrecarregado.
“Você não pode simplesmente parar de viver só porque eu não estou por perto. Então, aqui está o plano. Você vai voltar à minha escola e conversar com a bibliotecária. E você vai trabalhar como voluntária lá.”
Franzi a testa em meio às lágrimas e olhei para Judy.
“Há sempre uma criança sentada sozinha lá dentro”, disse Lily suavemente. “Alguém que se sente invisível. Eu já as vi.”
Sua voz suavizou-se ainda mais.
“Vá encontrar um deles, mãe. Ajude-os. Como você sempre me ajudou.”
Lágrimas escorriam pelo meu rosto.
A tela piscou brevemente.
“E mãe… não faça isso por mim.”
Um leve sorriso surgiu em seu rosto.
“Faça isso porque você ainda está aqui.”
Então o vídeo terminou.
Ficamos sentados ali em silêncio.
“Acho que ele acabou de planejar meu próximo passo”, eu disse baixinho.
Judy deu um leve sorriso. “Parece a Lily.”
Assenti com a cabeça lentamente.
Pela primeira vez em semanas, eu sabia exatamente o que tinha que fazer.
Naquela tarde, Judy me ajudou a levar todas as caixas para casa.
Desta vez, não nos apressamos em analisá-los.
Li várias cartas e chorei com a maioria delas. Mas uma em particular me fez rir.
Judy ficou até mais tarde e me deu um grande abraço na porta.
“Liga para mim.”
“Sim, eu vou”, prometi.
E, pela primeira vez, eu estava falando sério.
Na manhã seguinte, acordei cedo.
Por um instante, não entendi o porquê. Ainda me restavam duas semanas de férias. Então, notei uma das cartas de Lily em cima do meu criado-mudo.
“Abra quando não conseguir sair da cama.”
Peguei o celular e li sua doce mensagem de bom dia, desejando-me um dia produtivo e feliz.
Então, com cuidado, coloquei-o de volta.
“Vou me levantar”, sussurrei.
E eu consegui.
A antiga escola de Lily estava exatamente igual.
Entrei com o coração disparado.
Karen, a recepcionista, olhou para cima, surpresa.
“Sra. Carter…”
“Vim falar com a bibliotecária”, eu disse.
“Claro, basta fazer login e você poderá continuar.”
Quando entrei na biblioteca, os alunos estavam sentados, espalhados em silêncio por toda a sala.
E então eu a vi.
Uma menina sentada sozinha num canto com o capuz levantado.
Senti um nó no estômago quando percebi que estava usando o mesmo moletom cinza que Lily costumava usar.
Para ver as instruções de preparo completas, vá para a próxima página ou clique no botão Abrir (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos no Facebook.
