PARTE 1
Fingi ser a vítima perfeita e despedaçada… mas Nathan não fazia ideia de que eu estava me preparando para destruir tudo o que sua família havia construído. Apenas quarenta e oito horas haviam se passado desde que Olivia Bennett sobrevivera a uma cesariana de emergência. Sua suíte particular de maternidade em Beverly Hills estava congelante, mas o frio em seu peito era pior quando ela se obrigou a sair da cama e foi para o corredor, com uma das mãos pressionada sobre os pontos dolorosos em seu abdômen. Através da estreita fresta de uma porta de vidro fosco, Olivia viu algo que a fez prender a respiração.
O marido dela, Nathan Caldwell, estava perto do posto de enfermagem, administrando calmamente um sedativo na linha intravenosa da enfermeira do turno da noite. Momentos depois, a enfermeira desabou sobre a mesa. Olivia se encostou na parede, lutando contra a dor enquanto Nathan desaparecia na ala neonatal. Quando voltou, carregava o filho recém-nascido e saudável. Então, caminhou direto para o quarto quatro, onde Vanessa Monroe descansava — o primeiro amor de Nathan, a mulher que ele jurara ser apenas parte do seu passado.
“Vanessa, meu amor, este bebê está saudável”, ele sussurrou, colocando o filho de Olivia em seus braços. “De agora em diante, ele pertence a você.”
“E o meu bebê?”, perguntou Vanessa, com a voz embargada.
“Olivia vai criá-lo”, murmurou Nathan. “O destino dele já está traçado.”
“Nathan… ela fez uma cirurgia há apenas dois dias…”
“Por você”, disse ele suavemente, “eu sacrificaria qualquer coisa”.
Olivia mordeu a mão para se manter em silêncio. Sete anos de amor, confiança e casamento desmoronaram em um instante. Mas Nathan cometeu um erro imperdoável. Ele subestimou uma mãe. Olivia sabia que seu filho biológico tinha uma pequena marca de nascença em forma de crescente sob o arco do pé esquerdo.
Quase invisível, mas impossível de esquecer para uma mãe. Naquela tarde, enquanto Nathan retornava à mansão deles em Bel Air, Olivia fez uma ligação particular. Apesar da dor da cirurgia, ela entrou no quarto de Vanessa com assistência médica discreta, recuperou seu filho biológico e colocou o bebê de Vanessa de volta no berço. Com mãos firmes, ela fechou novamente as pulseiras de identificação. Sem lágrimas. Sem hesitação. Apenas sobrevivência.
No dia da alta, a mãe de Nathan, Evelyn Caldwell, entrou no quarto de Olivia vestindo seda creme, perfume intenso e diamantes reluzentes. Ela olhou para o bercinho e fez uma careta.
“Uma criança com aparência frágil”, disse Evelyn friamente. “Que azar para esta família. Mandem-no para a casa de Aspen. Não vou deixar que isso arruine nossa temporada social.”
Olivia baixou os olhos para esconder o sorriso gélido que se formava em seus lábios. No corredor, Nathan acompanhava Vanessa com uma ternura que Olivia jamais recebera dele. Ele carregava a frágil criança com orgulho, acreditando que segurava o herdeiro saudável. Ninguém naquele hospital compreendia a tempestade que já se anunciava.
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