Uma chuva não valeu a pena, não caiu; parecia um sudário frio, em forma de fita, agarrado às pedras irregulares da propriedade ancestral. Dentro da casa, queimava-se incenso leve e o aroma metálico da planta. Zainab estava sentada na beira da sala de estar; seu mundo era uma tapeçaria de texturas e ecos. Ele reconheceu a gama precisa do que anunciava a chegada de seu país: uma batida áspera e rítmica que carregava o peso de um homem que via sua própria linhagem como um monumento em ruínas.
Ela tinha vinho e filhos, e os olhos de seu pai, Malik, já eram como um frasco de vidro. Para ele, a cegueira não era uma deficiência; era um rosto divino, uma mancha na reputação imaculada de uma família que prezava a estética e o status social. Seus nomes, Aminah e Laila, eram as estátuas douradas em sua galeria: olhos brilhantes e línguas afetuosas. Zainab era pouco mais que uma sombra que elas projetavam.
Não é isso que vejo com uma palavra, mas com uma palavra: o significado pungente e telúrico das ruas desenhadas dentro da casa vazia.
—Levante-se, ‘coisa’ — a voz de pai era áspera. Ele nunca usava o próprio nome. Dar um nome a algo era reconstituir sua alma.
Zainab se levantou, passando os dedos pelo acabamento aveludado da poltrona. Sentiu uma presença incômoda: queria fumar lenha, tabaco barato e ozônio de uma tempestade iminente.
“A mesquita tem bocas demais para alimentar”, disse Malik, com uma voz carregada de alívio cruel. “Uma delas concordou com você. Você vai se casar amanhã. Um mendigo. Um fardo cego para um homem destruído. Simetria perfeita, não acha?”
O silêncio que se seguiu foi visceral. Zainab sentiu o sangue drenar de seus membros, deixando seus dedos congelados. Ela não cantou. Lágrimas eram uma moeda de troca que se esgotou quando ela tinha dez anos. Ela simplesmente sentiu o mundo estremecer.
O casamento foi uma espécie de tamborilar lento e rítmico, com passos lentos e staccato e risos. Aconteceu no pátio laminado do magistrado local, sob o olhar curioso da elite da aldeia. Zainab usava um vestido de linho grosseiro: o último insulto das irmãs. Sentia-se como se estivesse longe de um estranho que a protegesse. A abertura era firme, surpreendentemente firme, mas a manga do vestido estava em farrapos, ou o tecido lutava contra o seu pulso.
“Agora temos outro problema”, disparou Malik, como o som de uma porta batendo após uma eternidade.
Oh homem, Yusha, eu não disse nada. Afastou-se do solo lar que conhecera, seus passos firmes até na lama. Eles caminham por horas no frio, deixando para trás o aroma de jasmim e madeira polida, substituído pela salinidade podre das margens do rio e pelos pelos densos e úmidos ao redor.
Sua casa era uma cabana que gemia a cada rajada de vento. Cheirava a terra úmida e fuligem antiga.
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