Eu sabia o que ele estava calculando.

Grávida de seis meses.

Seis meses se passaram desde aquela terça-feira chuvosa em sua cozinha, quando eu estava de vestido azul, com rímel escorrendo pelo rosto, e perguntei se ele me amava ou apenas precisava de mim. Ele ficou ali em silêncio, preso ao seu passado, e finalmente disse que não sabia como construir uma família.

Então saí para a chuva.

Três semanas depois, sozinha no meu banheiro, descobri que não havia deixado aquela vida para trás.

“Doutora Adelaide?” A voz de Sophie me trouxe de volta à realidade.

“Sim querido?”

Você é bonita. Vai ter um bebê?

Sorri, mesmo com a dor no peito. “Sim, estou. O bebê chega em cerca de dois meses.”

“Que legal!”, disse Sophie. “Eu sempre quis ter uma irmãzinha.”

Atrás de mim, Elias fez um som tão baixo que ninguém mais percebeu.

Mas eu reparei.

Às dez daquela noite, Sophie estava descansando no andar de cima com um pequeno gesso e o exame limpo. Encontrei Elias em uma sala de consultas mal iluminada, agarrando-se ao parapeito da janela com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos.

“Sophie está estável”, eu disse. “Ela deve ir para casa amanhã de manhã.”

Ele se virou lentamente. “O bebê é meu?”

A pergunta era crua, desprovida de toda a sua habitual armadura.

Minha mão foi até minha barriga. “Sua filha precisa de você agora.”

“Adelaide, por favor.”

“Não”, eu disse, com a voz trêmula apesar de mim mesma. “Você não tem o direito de exigir respostas depois de cento e oitenta dias de silêncio.”

“Eu não sabia.”

“Você não olhou”, eu disse. “Eu queria que você lutasse por nós, Elias. Você me deixou ir.”

Seu rosto se contraiu como se eu o tivesse cortado.

“Eu fui um covarde.”

“Sim”, sussurrei. “Você estava.”

Saí de perto antes que ele pudesse me ver chorar.

Quando cheguei ao meu apartamento às duas da manhã, exausta e vazia, uma elegante caixa me esperava do lado de fora da porta. Não havia remetente, apenas um cartão creme sob uma fita preta.

Adelaide, algumas guerras não podem ser travadas sozinhas, especialmente aquelas que envolvem ele. Olhe para dentro.

A caixa continha uma manta de bebê verde-água tricotada à mão e livros raros de pediatria antigos. Era cara, demonstrava carinho e era impossível ignorá-la.

Mas não foi Elias quem disse isso.

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