“Ela não tem permissão para entrar na minha vida.”
Meses depois, Nora enviou uma carta repleta de frases como “se erros foram cometidos” e “sua esposa interpretou mal minhas intenções”. Ela nunca mencionou a cópia da chave, a caixa de joias, a pasta ou o plano para nos prender em nossa própria casa.
Mateo leu isso uma vez.
“Queimar ou triturar?”, perguntou ele.
Nós o destruímos.
Não houve reconciliação dramática. Nem jantar de Natal. Nem abraço familiar emocionado.
E tudo bem.
Algumas portas precisam ser fechadas para que um lar possa voltar a ser um lugar seguro.
Agora, quando a câmera detecta movimento, geralmente é uma encomenda, a Marisol trazendo pão doce, ou o cachorro do vizinho cheirando nosso capacho como se pagasse aluguel.
Toda vez que vejo nossa entrada vazia sob a luz quente da varanda, lembro-me da verdade:
Nora perdeu o filho porque acreditava que a maternidade lhe dava uma chave mestra.
Mas as fechaduras mudaram.
E finalmente, esta casa é nossa.
